A dançarina três oitão!

Forró era uma das paixões do seu Zé. Quando aposentou, concentrou todas as suas forças e energias para uma vez por semana mostrar sua habilidade de dançarino… parecia um sapo jogado em uma chapa quente. Era tanta dedicação que arrematou o troféu de dançarino mais insistente, criado especialmente para ele pela casa de forró. Troféu este que ficava à mostra na sua estante, na sala de televisão, para que todos pudessem ver.

Uma desses noites de forró, seu Zé chamou Barto, um dos seus amigos, para acompanhá-lo. Os dois chegaram chegando… pediram logo um copão de cerveja e uma pinguinha amarela para acelerar a animação e foram para a pista. Ficavam revezando os pares e funcionava assim mesmo; testavam-se e quem gostava do parceiro ficava dançando junto após trocada a música. 

Zé, dançando naquela animação que exigia que ele ficasse sem fazer nenhum exercício pela próxima semana, encontrou finalmente uma parceira digna da sua habilidade. Entra música e sai música e sô Zé não largava a morena de 1,85 cm de altura, ombros largos e gogó de dar inveja a qualquer galo de briga. Barto, o companheiro, ficou no bar conversando com uns amigos até que viu sô Zé dançando com a tal morena. Os amigos advertiram que aquela era a famosa mulher “kinder Ovo”, aquela que vem com uma surpresinha e Barto, desesperado, começou a dar sinal para o Zé. Zé nem dava confiança e apertava a morena contra o seu corpo, fazia menção que queira beijá-la o que por obra do santo dos homi macho a “mulher” acabou recusando.

Acabadas umas 5 músicas, sô Zé diz para ela que precisava ir ao banheiro e que jajá voltava. Barto, catou Zé pelo braço e levou ele pra um canto sem que ninguém visse. 

– Zé, tô te acenando faz uns 20 minuto hômi! 

– Ê Barto, num vê que ô ocupado rapaz? Cê tá é com inveja da morena… disse sorrindo.

– Inveja? Ocê num notou nada de diferente nela não sô

– Cada um se defende do jeito que pode… uma mulher bonita dessa precisa se defender. Notei que ela dança com o revólver na cintura, mas para mim tá tudo certo.

– Que revólver o quê Zé? Oiá o gogó da bicha? Ombro largo, braço cabeludo… revórve é o bingulim dela.. ou melhor, dele! 

– O quê? Cé tá de brincadeira! Eu vô matá esse cuzaruim… 

E deu o que fazer para segurar a raiva do sô Zé. Assim, bastava passar no açougue e gritar: Ô Zé, cadê o cano do três oitão?

E Zé prontamente respondia: Tá no cú da tua mãe! 

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Luciano Gouvea

Autor de Shekinah e Coração Tuaregue

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