Ainda…

Ainda procuro,

entre os meus dedos,

teus cabelos finos, que eu adorava bagunçar.

Ainda ouço seu sorriso rouco,

enroscado em tosses, sofridas…

Fruto de antigos vícios.

Ainda sim, risos ao teu lado.

Ainda vejo tua alegria nos que ficaram.

Nas  lembranças de momentos únicos: papai Noel com o sapato gasto, que nada escondia.

Na pureza da intenção, mais risos…

era assim ao teu lado!

Ainda tenho na memória as festas, os brinquedos,

muitas crianças!

Éramos felizes, apenas.

Sabíamos onde estava a alegria.

Não estava no embrulho, no carrinho ou na boneca novos.

Eras tu o presente. Era assim ao teu lado!

Ainda vejo o brilho prata do relógio antigo.

A garrafa azul, de café.

A sandália de couro, preferida.

A barriga dura, saliente, de tantas refeições em família. 

Família,

era assim ao teu lado…

Ainda sinto a sua presença. 

Ainda a tenho comigo; 

ainda procuro; 

ainda ouço; 

ainda vejo; 

ainda amo.

Ainda…

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Luciano Gouvea

Autor de Shekinah e Coração Tuaregue

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