Churrasco na lareira

Um certo dia lá estava Zé sozinho em casa. A filha mais nova, Denise, havia viajado e Zé teve uma brilhante ideia. Chamou Pedro Henrique, um sobrinho que morava ao lado e umas amigas do grupo do baralho, Vera, Bete, Lúcia do Mateus e Silva Helena.

Empolgado, Zé distribuía cerveja e tira gosto e preparava as carnes para o tão esperado primeiro churrasco na sua lareira. A lareira era um dos seus lugares favoritos no tempo frio, mas como no último ano o inverno não foi pesado, fazia algum tempo que não era testada. Zé começou a ficar alegrinho e queria dançar com as “meninas” e mostrar a sua famosa habilidade com o forró, que havia lhe conferido um troféu de dançarino mais insistente, anos atrás. 

Zé ajeitou o carvão e chamou todo mundo para explicar como que se acendia um fogo de churrasco. Dissertava sobre altura correta da carne para que assasse corretamente e sobre o tempo de fogo ideal. Assim, dizia que faria como gostassem, carne ao ponto, bem ou mal passada. Muito entendido, trouxe um pão francês velho e encharcou de álcool, colocando entre os pedaços de carvão. Arrumou a grelha, matematicamente a 15 cm da chama e disse que só se põe a carne quando o carvão vira brasa. 

Clima criado, plateia atenta, Zé riscou o fósforo e soltou no carvão na posição milimetricamente calculada. O fogo pegou rápido e os convidados impressionados e levemente inebriados disseram em coro:

– Ê sô Zé, experiência é tudo! 

Zé, inchado pelos elogios e um pouco também pelo excesso de cerveja, comemorou o momento como se tivesse descoberto o fogo.  

A fumaça subiu subiu e subiu e de repente desceu desceu e desceu e começou a invadir a sala, a cozinha e a casa inteira. Foi um tal de abrir janela, porta e de jogar cerveja no fogo… da rua, quem passava logo gritava “fogo na casa do sô Zé, chama os bombeiro”. Foi uma correria para apagar o fogo… era gente tossindo o pulmão para fora do peito que dava dó de assistir. O churrasco foi um fiasco e no fim, acabaram por comer no restaurante do tio Pedro mesmo, tudo na conta do Zé,  que matou a fome da turma, juntamente com a sua reputação de churrasqueiro. 

No dia seguinte, desentupiu a chaminé e jurou para a filha que Churrasco na lareira nunca mais! 

Gostou do Conteúdo? Compartilhe

Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
E-mail

Luciano Gouvea

Autor de Shekinah e Coração Tuaregue

Siga nas
redes sociais

É só digitar no formulário abaixo e pesquisar no blog

Clique na capa do livro para comprar